17.6.16

α





compreendes agora os picos que te atingem
os deuses negam-te o vinho bucólico
sugámos da tua pele
                                  o licor meloso dos dias jovens


existe (numa miragem?)
uma poesia a desfalecer
um Homem que sonho alto
com vampiros e palavras arqueadas
                                         para se jogar na linha de comboio

 porém
       antes de tudo se suceder
       na primavera dos teus dedos
desfiz o meu sangue menstrual


junto ao mar
para que o suor não me julgasse
por uma faca penetrada no meu útero.


28.2.15




No Outono do teu corpo
fui outrora Melusina.

Minhas mãos compostas de frémitos vibrantes
o teu corpo uma constelação desigual.

Tudo se divaga por palavras pesadas, entre cortadas
por crianças famintas, cruzes distantes e saudades infinitas.

Contraponto de uma lago, enorme e soturno
Triste que nos entrelaça os lábios.
E estas pálpebras púrpuras tornam-se
a inércia da calçada da cidade.